Plataformas brasileiras ampliam disputa com novos serviços de compras e logística

Plataformas brasileiras ampliam disputa com novos serviços de compras e logística, investindo em São Paulo e expandindo operações.

Plataformas brasileiras ampliam disputa com novos serviços de compras e logística, investindo em São Paulo e expandindo operação
Plataformas brasileiras ampliam disputa com novos serviços de compras e logística, investindo em São Paulo e expandindo operação

Novas frentes de disputa no mercado digital brasileiro

A disputa entre plataformas de mobilidade e delivery no Brasil ganhou novos rumos com a expansão do serviço 99Compras para São Paulo e mais de 20 municípios da região metropolitana, acompanhada de um investimento de R$ 100 milhões no Estado. A iniciativa, anunciada na terça-feira (28 de julho), reflete a estratégia das empresas de ampliar a oferta de serviços para aumentar a frequência de uso dos aplicativos. Controlada pela chinesa Didi Global, a 99 reúne no mesmo aplicativo transporte de passageiros, entregas, conta digital e compras em categorias como supermercado, farmácia e pet shop.

Expansão e diversificação de receitas

A chegada a São Paulo marca a principal expansão do serviço desde o lançamento em Goiânia, em março. A operação reúne mais de 3 mil parceiros, entre eles Carrefour, Americanas e Cobasi. A estratégia da 99 contrasta com a do iFood, que aposta na integração de plataformas independentes. Desde janeiro, mantém parceria com a Uber, que permite aos usuários acessar corridas e delivery entre os dois aplicativos. Além disso, ampliou conexões com empresas do grupo Prosus, como a Decolar.

A ideia é transformar o serviço em um hábito de consumo, e não em uma iniciativa pontual.
Bruno Rossini, diretor sênior de comunicação da 99, destacou que a empresa busca criar uma mudança definitiva no comportamento dos consumidores. “Não quero criar um aplicativo temporário para as pessoas comprarem e esse serviço deixar de existir”, afirmou. A 99 também estuda integrar o serviço à 99Pay, permitindo pagamentos via cartão ou Pix. Segundo a empresa, a modalidade gerou 1,3 milhão de pedidos parcelados nos dois primeiros meses, mais que o dobro do período anterior.

Desafios e oportunidades no mercado

Embora adotem estratégias diferentes, as empresas buscam ampliar a frequência de uso dos aplicativos e diversificar as receitas. Para especialistas, preço e novas funcionalidades são apenas parte da estratégia. Um estudo da Kobe, plataforma de comércio móvel, mostra que, embora 76% dos consumidores baixem aplicativos motivados por promoções, 59% deixam de utilizá-los por causa de experiências consideradas confusas. “O desafio é transformar o download em recorrência e presença real na rotina”, afirmou Fábio Barboza Filho, presidente da Kobe.

A consolidação do uso desses aplicativos no país é um fator-chave para o sucesso das plataformas.
Dados da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, realizada em novembro de 2025, mostram que a parcela de brasileiros que já utilizou corridas por aplicativo subiu de 75%, em agosto de 2019, para 90%. Em um mercado já consolidado, Uber e iFood seguem líderes em mobilidade e delivery, enquanto a disputa nas corridas por motocicleta é mais equilibrada, com 48% de preferência para a Uber e 38% para a 99. É justamente fora desses mercados mais maduros que as plataformas concentram hoje seus principais investimentos. Farmácia e mercado despontam como algumas das frentes de maior expansão.

Investimentos em segurança e logística

Com a ampliação da operação, aumentam as demandas por investimentos em segurança e logística. A 99 prevê aplicar mais de R$ 145 milhões em segurança em 2026. Além disso, 36% dos 2,5 milhões de condutores já atuam em mais de uma categoria, alta de 54,9% desde 2024. Para a Amobitec, que representa as plataformas, o movimento reduz deslocamentos ociosos e amplia as possibilidades de geração de renda. A Associação de Motofretistas do Brasil (Amabr), por outro lado, afirma que a atuação em múltiplas frentes também reflete a necessidade de complementar renda diante dos baixos ganhos. —