Japão e Estados Unidos discutem ações conjuntas para conter queda do iene

Japão e EUA discutem ações conjuntas para conter queda do iene, segundo fontes.

Autoridades japonesas e americanas discutem ações conjuntas para conter queda do iene, segundo fontes
Autoridades japonesas e americanas discutem ações conjuntas para conter queda do iene, segundo fontes

Intervenção cambial conjunta entre Japão e EUA para conter queda do iene

Fontes próximas ao governo japonês indicam que a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, anunciará na segunda-feira que Tóquio e Washington tomaram medidas conjuntas no mercado cambial para conter a queda do iene, que atingiu níveis mínimos em 40 anos. A decisão surge após uma série de intervenções coordenadas entre as duas economias, incluindo a compra de ienes por autoridades japonesas e americanas, a primeira desde 2011. A moeda japonesa, que chegou a níveis mais baixos em relação ao dólar desde 1986, tem sido alvo de preocupações por parte dos mercados, que temem uma desvalorização acelerada.

Coordenação entre os dois países para estabilizar o iene

As fontes indicam que a operação ainda está em andamento, e Katayama provavelmente enfatizará a determinação dos dois países em combater o que consideram quedas excessivas do iene. A intervenção inicial de Tóquio ocorreu horas antes da decisão do Banco do Japão de manter a política monetária estável, sinalizando uma forte probabilidade de aumento das taxas de juros em breve. O diferencial crescente de taxas com os Estados Unidos, onde o Federal Reserve adotou uma postura mais agressiva, tem sido um fator chave na valorização do dólar em relação ao iene.

A cooperação entre os dois países visa evitar pressões inflacionárias. Analistas acreditam que a preocupação de Washington com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro, que poderiam piorar se Tóquio não conseguisse impedir uma onda de vendas de ienes e títulos do governo japonês, impulsiona a ação conjunta. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tinha em seu bloco de notas a anotação de “comprar 5 a 10 bilhões de ienes japoneses” em uma reunião de gabinete, segundo uma foto da Reuters.

As autoridades japonesas e americanas estão trabalhando em conjunto para estabilizar o iene. Em outro sinal de coordenação bilateral, o Ministério das Finanças japonês publicou em inglês no Facebook que dispõe de “uma ampla gama de ferramentas para atender às necessidades de liquidez do mercado”, incluindo o acesso à linha de recompra do Fed, que fornece liquidez temporária em dólares. A linha de recompra do Fed, introduzida em 2020 durante a pandemia, permite que o Japão aumente sua liquidez em dólares sem a venda direta de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, potencialmente aliviando as pressões de financiamento sobre Tóquio para intervenções.

O Ministro da Economia, Minoru Kiuchi, destacou a importância de manter a confiança do mercado na sustentabilidade fiscal do Japão, afirmando que o governo intensificará os esforços para aprimorar a comunicação com os mercados. “É muito importante manter a confiança do mercado na sustentabilidade fiscal do Japão”, disse Kiuchi, conhecido por ser um defensor de políticas fiscais e monetárias expansionistas, em um programa de entrevistas na televisão.

Alguns analistas interpretaram os sinais de cooperação Japão-Estados Unidos como impulsionados pela preocupação de Washington com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro, que poderiam piorar se Tóquio não conseguisse impedir uma onda de vendas de ienes e títulos do governo japonês. “Tanto os Estados Unidos quanto o Japão enfrentam o risco de a inflação disparar e deixar seus bancos centrais para trás”, disse o ex-funcionário do Banco do Japão, Nobuyasu Atago, à Reuters. “Eles veem mérito na cooperação.”