Selic: Inflação, petróleo e juros nos EUA definirão se haverá mais cortes

O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, mas não definiu próximos passos. Inflação, petróleo e juros nos EUA influenciarão decisões futuras.

Banco Central ajusta Selic, mas mantém incerteza sobre próximos cortes. Inflação e cenário externo são fatores-chave
Banco Central ajusta Selic, mas mantém incerteza sobre próximos cortes. Inflação e cenário externo são fatores-chave

Decisão do Copom e contexto macroeconômico

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 14% ao ano, em decisão unânime. A decisão, tomada nesta quarta-feira (5), foi anunciada em um comunicado que deixou em aberto os próximos passos do ciclo de flexibilização, sem oferecer diretrizes futuras e condicionando as decisões à evolução dos dados. A economia brasileira, ainda sob pressão inflacionária, enfrenta um cenário externo desafiador, com incertezas sobre conflitos no Oriente Médio e a condução da política monetária nas economias avançadas. O Copom reconheceu a moderação da atividade, mas endureceu a interpretação sobre o mercado de trabalho, que deixou de ser classificado como “resiliente” para ser chamado de “aquecido”. A inflação, embora tenha desacelerado, continua acima do teto da meta, e o Banco Central destacou que a autoridade monetária retirou as menções a diferentes trajetórias de juros, focando apenas em manter a restrição adequada.

Pressões externas e desafios internos

O cenário externo, no entanto, impõe barreiras significativas. Leonardo Costa, economista do ASA, destacou que o comunicado reconhece um ambiente internacional desafiador, pressionado pelas incertezas quanto aos conflitos no Oriente Médio e à condução da política monetária nas economias avançadas. Além disso, economistas pontuam riscos adicionais como o tarifaço americano sobre produtos brasileiros e a instabilidade do petróleo, fatores que podem pressionar o câmbio e gerar inflação importada. A desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo também foi um ponto de atenção reforçado no texto. O Copom estendeu o horizonte relevante de sua política monetária para o primeiro trimestre de 2028, projetando a inflação em 3,2% nesse período. A desaceleração da inflação e da atividade, apesar de positiva, ainda não é suficiente para justificar uma pausa definitiva no ciclo de cortes.

Opiniões divergentes sobre o futuro da Selic

A sinalização de que o ciclo de calibração está indefinido mantém vivas as projeções de continuidade dos cortes. Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, a expectativa é de mais uma redução em setembro, para 13,75%, e encerramento de 2026 com a Selic a 13,25%, apoiada na projeção de continuidade na desaceleração da inflação e da atividade. “O comunicado não fechou completamente a porta para futuros cortes de juros, mas deixou claro que será necessário observar uma melhora no balanço de riscos para que o processo de calibração avance”, pondera Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.

Por outro lado, parte do mercado avalia que o ciclo deve parar nos atuais 14%. “Os atuais choques de oferta global (energia, inteligência artificial, El Niño) e a demanda doméstica (pacote expansionista fiscal e parafiscal), além das expectativas acima da meta ainda justificam uma pausa”, afirma Caio Megale, economista-chefe da XP. Ele argumenta que uma postura conservadora evitaria a deterioração das expectativas e garantiria um ciclo mais sustentável no próximo ano.

Impacto da política monetária e desafios da economia

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o processo de calibração parece estar próximo do fim, e que o monitoramento do petróleo, juros dos EUA e dívida pública dirá se haverá ou não um corte adicional em setembro. Fora das planilhas do mercado financeiro, o setor produtivo alerta para os danos da política restritiva prolongada. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, lembra que, embora a Selic tenha caído, o custo do crédito atinge 30% ao ano para as empresas e passa de 60% para as famílias, sufocando o caixa e travando inovações.

A dívida pública de R$ 10,8 trilhões, atrelada à Selic, gera encargos anuais superiores a R$ 1 trilhão devido à “gastança desmedida do governo”. Cassio Viana de Jesus, CEO da Pilar Capital, ressalta que o corte de 0,25 ponto é apenas uma calibragem. Segundo ele, sem uma sequência consistente de cortes, o crédito continuará restrito e o efeito sobre os investimentos será limitado. —

  • Decisão do Copom: Selic cai para 14% após corte de 0,25 ponto.
  • Inflação ainda acima do teto da meta, mas desacelerou.
  • Pressões externas e desafios internos limitam a flexibilização.
  • Opiniões divergentes sobre o futuro da Selic: alguns apontam pausa, outros continuidade.
  • Setor produtivo alerta para os danos da política restritiva prolongada.