Prejuízo dos Correios cai 5,5% no 2º trimestre, mas desafios persistem
Prejuízo dos Correios recua para R$ 2,39 bilhões no 2º trimestre de 2026, mas desafios de reestruturação e sustentabilidade persistem.
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Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma redução de 5,5% em comparação com o resultado negativo de R$ 2,53 bilhões no mesmo período de 2025. A estatal, que está em processo de reestruturação financeira e operacional, divulgou os dados das demonstrações financeiras neste sábado (29), em Brasília. O prejuízo do segundo trimestre também representa uma queda de 24,4% em relação ao primeiro trimestre do ano, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões. O saldo negativo acumulado no primeiro semestre chegou a R$ 5,55 bilhões, acima dos R$ 4,26 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Reestruturação e financiamento
A estatal está em processo de reestruturação financeira e operacional, após o governo federal ter apurado um rombo na empresa. No ano passado, os Correios contrataram R$ 12 bilhões em empréstimos com garantia da União junto a um sindicato formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. A concessão da garantia foi condicionada à implementação de um plano de reestruturação para recuperar a sustentabilidade financeira da compania. Neste ano, os Correios preveem contratar outros R$ 7 bilhões, também com garantia da União, em uma operação estruturada por um consórcio de bancos privados internacionais.
Com a publicação do balanço do segundo trimestre, a expectativa é que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) conclua a análise para a concessão da garantia, etapa que falta para o avanço dessa captação. A estatal também negocia R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, para financiar seu programa de modernização. Além disso, a União deverá prever no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões na estatal.
Resultados e desafios
Apesar do prejuízo, a estatal avalia que o plano de reestruturação está sendo cumprido e que os resultados das medidas adotadas estão em linha com o inicialmente projetado. Na comparação com as metas internas, o Ebitda — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou R$ 910 milhões, ou 18%, melhor que o previsto, e as despesas totais do semestre ficaram R$ 302 milhões abaixo do orçado. A compania reconhece, porém, que os desafios continuam sendo de reduzir despesas de forma contínua, manter a melhora na qualidade dos serviços, avançar em mercados pouco explorados e elevar sua capacidade tecnológica e competitividade. O Tribunal de Contas da União (TCU), que acompanha a execução do plano, já fez ressalvas às estimativas que sustentam a estratégia do plano de recuperação.
Reforma e futuro
Em entrevista ao Valor, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o governo estuda rever o financiamento da universalização dos serviços postais, cujo custo é estimado em R$ 4 bilhões por ano. Uma das alternativas é criar um fundo abastecido por contribuições de empresas privadas do setor. Entre as medidas já executadas no plano de reestruturação, está a reorganização do endividamento.
Com a operação de R$ 12 bilhões, os Correios quitaram antecipadamente, em janeiro, um empréstimo de R$ 1,8 bilhão e alongaram o prazo da dívida de 18 para 180 meses, com três anos de carência, com custo efetivo da taxa DI + 1,89%. O saldo dos empréstimos caiu de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões, e a companhia encerrou o semestre sem financiamentos com vencimento no curto prazo. O caixa e aplicações financeiras somavam R$ 4,9 bilhões em 30 de junho.
