Ilha de Outeiro continua sem melhorias após COP30
A ilha de Outeiro, que recebeu navios de cruzeiros após COP30, continua sem investimentos concretos.
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Ilha de Outeiro continua sem melhorias após COP30
Oito meses após a COP30 em Belém, a ilha de Outeiro, que recebeu navios de cruzeiros como alternativa de hospedagem durante a cúpula climática, continua sem as melhorias prometidas. Moradores e comerciantes do distrito, localizado a oito quilômetros da capital, relatam que o lugar permanece esquecido pelo poder público. O distrito, que ganhou visibilidade com a chegada de transatlânticos de luxo, não recebeu investimentos ou ações concretas para melhorar a infraestrutura e os serviços básicos.
Infraestrutura e serviços básicos em crise
A praia Grande, localizada ao lado da Brasília, apresenta uma situação ainda mais crítica. O esgoto é despejado diretamente na orla, e a falta de saneamento básico afasta os visitantes. Raimundo Pereira, morador da ilha e vendedor de coco e abacaxi há mais de 30 anos, afirma que o despejo de dejetos na praia é antigo e que a prefeitura nunca tomou ações. “Essa situação não melhorou com a COP30. Tem ruas sem asfalto e outras cheias de buracos”, relata. A via que leva às duas praias está coberta de lixo e em estado de abandono.
A falta de saneamento e a degradação da orla afastam os visitantes. O proprietário da barraca São Jorge, Paulo Almeida, 75, diz que a falta de saneamento básico é um problema antigo e que a ausência de uma orla padronizada dificulta o turismo. “Que turista vai querer tomar banho nesse esgoto?”, questiona. A situação é pior do que antes da COP30, e os moradores não veem melhorias. A gestão de Igor Normando (PSDB) diz que a orla passará por revitalização, mas não deu previsão para a obra. Segundo a administração, o distrito vem recebendo investimentos, incluindo o chamado Pistão da Água Boa, que será transformado no novo parque linear do município. No entanto, os moradores não veem resultados. “Não melhorou em nada com a COP30”, afirma Raimundo Pereira.
A promessa de revitalização permanece sem prazo. Apesar do aumento de 35% no movimento de embarcações após a COP30, a Companhia Docas do Pará afirma que a programação de temporadas de cruzeiros é definida pelo mercado com aproximadamente dois anos de antecedência e que está em tratativas para incluir o terminal portuário em roteiros futuros. No entanto, a realidade no local é diferente: os navios de cruzeiro já sumiram, e a praia continua deserta. “Todo final de semana fica assim”, conta Raimundo José, apontando para as mesas vazias do bar Dedão.
A situação da ilha de Outeiro reflete um contraste entre a visibilidade conquistada durante a COP30 e a ausência de ações concretas para melhorar a qualidade de vida dos moradores. Enquanto o turismo de luxo passa por ali, a população local enfrenta problemas de saneamento, segurança e infraestrutura. A promessa de revitalização permanece sem prazo, e a ilha continua esquecida, mesmo após o evento internacional que a tornou conhecida.
