Petróleo e combustíveis elevam exportações brasileiras em agosto com superávit de US$ 7,4 bilhões
Exportações brasileiras crescem 12,2% em agosto com petróleo e combustíveis, superávit comercial atinge US$ 7,4 bilhões.
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Em agosto, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões, um aumento de 28,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços do petróleo e combustíveis, que contribuíram significativamente para o crescimento das exportações. A receita de exportação no mês subiu 12,2%, enquanto as importações cresceram 6,1%, resultando em uma corrente de comércio de US$ 446,393 bilhões, um aumento de 8,4% em relação a agosto de 2025.
Exportações de petróleo e combustíveis lideram crescimento
O petróleo foi o principal item exportado em agosto, com um aumento de 18% na receita de embarques. A alta dos preços do barril do Brent, que atingiu níveis elevados, contribuiu para esse crescimento. André Valério, economista do Inter, destaca que o petróleo e os combustíveis assumem cada vez mais importância na exportação brasileira, respondendo por 18,9% das exportações totais em agosto, acima dos 16,85% observados em agosto de 2025.
Apesar do aumento na receita, o volume embarcado de petróleo e combustíveis caiu 5,5%, refletindo a redução na demanda por parte de alguns mercados, especialmente a China. Desde o início do conflito no Irã, a China reduziu significativamente suas importações totais de petróleo, utilizando sua reserva estratégica. Valério observa que o retorno ao mercado internacional tem sido tímido, indicando que a China espera o preço do petróleo normalizar para recompor suas reservas.
Impacto do conflito no Irã e mudanças na demanda
O conflito no Irã tem mantido o fluxo de petróleo limitado, pressionando os preços. Mesmo que o conflito se resolva e haja normalização da commodity, as exportações brasileiras de petróleo devem continuar se beneficiando do alto volume produzido, além dos movimentos de recomposição das reservas estratégicas dos EUA e da China. No entanto, a redução na demanda por parte da China, especialmente para o petróleo bruto, tem impactado as exportações brasileiras.
Além do petróleo, a soja e o minério de ferro também tiveram movimentos significativos, embora com queda na receita. A soja, por sua vez, mantém ritmo forte de exportação, baseada na safra que deve ser histórica no ano. Já o minério de ferro, apesar de ter sido o terceiro produto mais exportado, registrou queda de 10,8% na receita, provocada por recuo tanto de preço quanto de volume. Na importação, houve redução de 2% no volume, mas aumento de 14,7% no desembolso, impulsionado principalmente pelo aumento de preços dos bens intermediários e combustíveis. O valor total importado subiu 11%, com o efeito do petróleo e derivados nas demais cadeias de produtos. A economista Luiza Pinese, da XP, destaca que as importações devem desacelerar à frente, à medida que a atividade doméstica se reduz.
